segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Há 164 anos nascia o 'Tigre da Abolição', José Carlos do Patrocínio


Em um dia como hoje, 09 de outubro, do ano de 1853 (há 164 anos), nasceu o jornalista e abolicionista José Carlos do Patrocínio, mais conhecido como “Tigre da Abolição”.- Dia 10 do ano de 1946, foi fundada a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).

José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos dos Goytacazes, 9 de outubro de 1853 e faleceu no Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1905. Foi um farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro. Destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano no país. Foi também idealizador da Guarda Negra, que era formado por negros e ex-escravos para defender a monarquia e o regime imperial.

Filho de João Carlos Monteiro, vigário da paróquia de Campos dos Goytacazes e orador sacro de reputação na Capela Imperial, com Justina do Espírito Santo, uma jovem escrava Mina de quinze anos, cedida ao serviço do cônego por D. Emerenciana Ribeiro do Espírito Santo, proprietária da região.

Embora sem reconhecer a paternidade, o religioso encaminhou o menino para a sua fazenda na Lagoa de Cima, onde José do Patrocínio passou a infância como liberto, porém convivendo com os escravos e com os rígidos castigos que lhes eram impostos.

Aos catorze anos de idade, tendo completado a sua educação primária, pediu, e obteve do pai, autorização para ir para o Rio de Janeiro. Encontrou trabalho como servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia (1868), empregando-se posteriormente na casa de saúde do doutor Batista Santos. Atraído pelo combate à doença, retomou, às próprias expensas, os estudos no Externato de João Pedro de Aquino, prestando os exames preparatórios para o curso de farmácia.


Aprovado, ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de Farmácia, concluindo o curso em 1874. Nesse momento, desfazendo-se a república de estudantes com que convivia, Patrocínio viu-se na iminência de precisar alugar moradia, sem dispor de recursos para tal. Um amigo, antigo colega do externato de Aquino, João Rodrigues Pacheco Vilanova, convidou-o a morar no tradicional Bairro de São Cristóvão, na casa da mãe, então casada em segundas núpcias com o capitão Emiliano Rosa Sena, abastado proprietário de terras e imóveis. Para que Patrocínio pudesse aceitar sem constrangimento a hospedagem que lhe era oferecida, o capitão Sena propôs-lhe que, como pagamento, lecionaria aos seus filhos. Patrocínio aceitou e, desde então, passou também a frequentar o "Clube Republicano" que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiuva, Lopes Trovão, Pardal Mallet e outros. Não tardou que Patrocínio se apaixonasse por Maria Henriqueta, uma das filhas do militar, sendo também por ela correspondido. Quando informado do romance de ambos, o capitão Sena sentiu-se ofendido a princípio, porém vindo, após o matrimônio (1879), a auxiliar Patrocínio em diversas ocasiões.

Nessa época, Patrocínio iniciou a carreira de jornalista em parceria com Dermeval da Fonseca, publicando o quinzenário satírico "Os Ferrões", que circulou de 1º de junho a 15 de outubro de 1875, no total de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão (Patrocínio) e Eurus Ferrão (Fonseca).

Dois anos depois (1877), admitido na Gazeta de Notícias como redator, foi encarregado da coluna Semana Parlamentar, que assinava com o pseudônimo de Prudhome. Foi neste espaço que, em 1879, iniciou a campanha pela Abolição da Escravatura no Brasil. Em torno de si formou-se um grupo de jornalistas e de oradores, entre os quais Ferreira de Meneses (proprietário da Gazeta da Tarde), Joaquim Nabuco, Lopes Trovão, Ubaldino do Amaral, Teodoro Fernandes Sampaio, Paula Nei, todos da Associação Central Emancipadora. Por sua vez, Patrocínio começou a tomar parte nos trabalhos da associação.

Fundou, em 1880, juntamente com Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Com o falecimento de Ferreira de Meneses (1881), com recursos obtidos junto ao sogro, adquiriu a Gazeta da Tarde, assumindo-lhe a direção. Em Maio de 1883, articulou a Confederação Abolicionista, congregando todos os clubes abolicionistas do país, cujo manifesto redigiu e assinou, juntamente com André Rebouças e Aristides Lobo. Nesta fase, Patrocínio não se limitou a escrever: também preparou e auxiliou a fuga de escravos e coordenou campanhas de angariação de fundos para adquirir alforrias, com a promoção de espetáculos ao vivo, comícios em teatros, manifestações em praça pública, etc.


Em 1882, a convite de Paula Nei, Patrocínio visitou a província do Ceará, onde foi recebido em triunfo. Essa província seria pioneira no Brasil ao decretar a abolição já em 1884.

Em 1885, visitou sua cidade natal, Campos dos Goytacazes, sendo também recebido em triunfo. De volta ao Rio de Janeiro, trouxe a mãe, idosa e doente, que viria a falecer no final desse mesmo ano. O sepultamento transformou-se em um ato político em favor da abolição, tendo comparecido personalidades como as do ministro Rodolfo Dantas, o jurista Rui Barbosa e os futuros presidentes Campos Sales e Prudente de Morais.

No ano seguinte (1886), iniciou-se na política, sendo eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com votação maciça.

Em Setembro de 1887, abandonou a "Gazeta da Tarde" para fundar e dirigir um novo periódico: o "A Cidade do Rio". À frente deste periódico, intensificou a sua atuação política. Aqui, fizeram escola alguns dos melhores nomes do jornalismo brasileiro da época, reunidos e incentivados pelo próprio Patrocínio. Foi nele que Patrocínio saudou, após uma década de intensa militância, a 13 de maio de 1888, o advento da Abolição.

Obtida a vitória na campanha abolicionista, as atenções da opinião pública se voltaram para a campanha republicana. Por ironia do destino, o "A Cidade do Rio" e a própria figura de Patrocínio passam a ser identificados pela opinião pública como defensores da monarquia em crise. Nessa fase, Patrocínio, rotulado como um "isabelista", foi apontado como um dos mentores da chamada "Guarda Negra", um grupo de ex-escravos que agia com violência contra os comícios republicanos.

Após a proclamação da República (1889), entrou em conflito em 1892 com o governo do Marechal Floriano Peixoto, pelo que foi detido e deportado para Cucuí, no alto Rio Negro, no estado do Amazonas.


Retornou discretamente ao Rio de Janeiro em 1893, mas com o estado de sítio ainda em vigor, a publicação do "A Cidade do Rio" continuou suspensa. Sem fonte de renda, Patrocínio foi residir no subúrbio de Inhaúma.

Nos anos seguintes, a sua participação política foi inexpressiva, concentrando-se a sua atenção no moderno invento da aviação. Iniciou a construção de um dirigível de 45 metros, o "Santa Cruz", com o sonho de voar, jamais concluído. Numa homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, quando discursava saudando o inventor, foi acometido de uma hemoptise, sintoma da tuberculose que o vitimou. Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado por seus biógrafos o maior de todos os jornalistas da abolição.

Cronologia
1853: Em 9 de outubro, José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos (na então província do Rio de Janeiro), filho natural do padre João Carlos Monteiro e de Justina, escrava africana, vendedora de frutas.

1868: Patrocínio começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.

1871: Por iniciativa do visconde do Rio Branco, foi promulgada a lei do Ventre Livre, reconhecendo como livres as crianças nascidas de mães escravas.

1874: Na Faculdade de Medicina, Patrocínio concluiu o curso de Farmácia.

1875: Com Demerval Ferreira, publicou o primeiro número do quinzenário satírico "Os Ferrões".

1877: Entrou na "Gazeta de Notícias", respondendo pela coluna "A Semana Parlamentar".

1879: Casou-se com Maria Henriqueta Sena, a "Bibi". Iniciou a campanha pela abolição da escravatura.

1881: Ingressou na "Gazeta da Tarde", vindo a se tornar proprietário do periódico.

1882: A convite de Paula Nei, viajou ao Ceará em campanha pró-Abolição; como fruto, dois anos mais tarde, o Ceará foi a primeira província brasileira a dar a emancipação aos escravos.

1883: Patrocínio redigiu o manifesto da Confederação Abolicionista.

1884: Publicou o romance "Pedro Espanhol".

1885: Promulgada a Lei dos Sexagenários, que concedeu a liberdade aos escravos com idade igual ou superior a 65 anos. José do Patrocínio visitou Campos, onde foi saudado como um triunfador. No Rio de Janeiro, o funeral de "tia" Justina, mãe de José do Patrocínio, transformou-se num grandioso comício de repúdio à escravidão.

1886: Foi eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

1887: Deixou a "Gazeta da Tarde", fundou e passou a dirigir o "A Cidade do Rio". Publicou o romance "Mota Coqueiro ou A pena de morte".

1888: A 13 de maio, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil; José do Patrocínio beijou as mãos da princesa.

1889: Patrocínio publicou o romance "Os Retirantes", inspirado na inclemência da seca sobre os habitantes da região nordeste do Brasil. Foi acusado de fomentar a violenta ação da "Guarda Negra" em defesa do isabelismo. A 15 de novembro, a república foi proclamada no Brasil.

1892: José do Patrocínio importou da França o primeiro automóvel que circulou no Brasil. Movido a vapor, o seu barulho espantava os transeuntes. Por ter publicado, no seu jornal, um manifesto de um dos chefes da Revolta da Armada, o Marechal Floriano Peixoto desterrou Patrocínio para Cucuí, no alto Rio Negro (Amazonas).

1893: Proibida a publicação do periódico A Cidade do Rio, Patrocínio estava reduzido à miséria.

1905: Numa homenagem a Santos Dumont, ao discursar, José do Patrocínio sofreu uma hemoptise; faleceu a 30 de janeiro.

Obras
1875: Os Ferrões, quinzenário satírico, 10 números, em colaboração com Dermeval Fonseca;
1877: Mota Coqueiro ou A pena de morte, romance;
1879: Os retirantes, romance;
1883: Manifesto da Confederação Abolicionista;
1884: Pedro Espanhol, romance;
1885, 17 de maio: Conferência pública, no Teatro Politeama, em sessão da Confederação Abolicionista;
"Associação Central Emancipadora", 8 boletins.

Pseudônimos
Em artigos nos periódicos da época, José do Patrocínio usou os pseudônimos de:
"Justino Monteiro" ("A Notícia", 1905);
"Notus Ferrão" ("Os Ferrões", 1875);
"Prudhome" ("A Gazeta de Notícias", "A Cidade do Rio").

Representações na cultura
José do Patrocínio já foi retratado como personagem na televisão, interpretado por Antonio Pitanga na novela Sangue do Meu Sangue (1969) e por Kadu Karneiro no remake Sangue do Meu Sangue (1995), Valter Santos na minissérie Abolição (1988) e Maurício Gonçalves na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999).

domingo, 1 de outubro de 2017

Há 150 anos nascia o presidente campista, Nilo Procópio Peçanha


Nilo Procópio Peçanha nasceu em 2 de outubro de 1867 (há 150 anos). Assumiu a Presidência da República após o falecimento de Afonso Pena, em 14 de junho de 1909 e governou até 15 de novembro de 1910. Foi o primeiro mulato presidente do Brasil.
Nilo Peçanha era filho de Sebastião de Sousa Peçanha, padeiro, e de Joaquina Anália de Sá Freire, descendente de uma família importante na política norte fluminense. Teve quatro irmãos e duas irmãs. A família vivia pobremente em um sítio no atual distrito de Morro do Coco, Campos dos Goytacazes até que se mudou para o centro da cidade quando Nilo Peçanha chegou na idade escolar. Seu pai era conhecido na cidade como "Sebastião da Padaria".
Nilo cursou o primeiro grau estudantil em Campos, completou os estudos na capital fluminense e se formou em direito pela Faculdade de Direito do Recife, em Pernambuco.
Foi descrito como sendo mulato e frequentemente ridicularizado na imprensa em charges e anedotas que se referiam à cor da sua pele. Durante sua juventude, a elite social de Campos dos Goytacazes chamava-o de "o mestiço de Morro do Coco".
Carreira na política
Nilo Peçanha.
Em 1921, quando concorreu à presidência da República como candidato de oposição, cartas atribuídas falsamente ao candidato governista, Artur Bernardes, foram publicadas na imprensa e causaram uma crise política pois insultavam o ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, representante dos militares, e também Nilo Peçanha, outro ex-presidente, que era xingado de mulato. Gilberto Freyre, escrevendo sobre futebol, usou-o como paradigma do mulato que vence usando a malícia e escondendo o jogo mencionando que "o nosso estilo de jogar (…) exprime o mesmo mulatismo de que Nilo Peçanha foi até hoje a melhor afirmação na arte política".
Alguns pesquisadores afirmam que suas fotografias presidenciais eram retocadas para branquear sua pele escura. Alberto da Costa e Silva diz que Nilo Peçanha foi apenas um dos quatro presidentes brasileiros que esconderam os seus ancestrais africanos, sendo os outros Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís. Já o presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou ser descendente de uma escrava.
Abdias Nascimento afirma que, apesar de sua tez escura, Nilo Peçanha escondeu suas origens africanas e que seus descendentes e família sempre negaram que ele fosse mulato.
A biografia oficial escrita por um parente, Celso Peçanha, nada menciona sobre suas origens raciais, mas uma outra biografia posterior o faz. Portanto, alguns pesquisadores expressam dúvidas sobre se Nilo Peçanha era ou não mulato. Em qualquer caso, suas origens foram muito humildes: ele mesmo contava ter sido criado com "pão dormido e paçoca".
Terminou os estudos preliminares em sua cidade, no Colégio Pedro II. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e depois na Faculdade do Recife, onde se formou.
Casou-se com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como "Anita", descendente de aristocráticas e ricas famílias campistas. O casamento foi um escândalo social, pois a noiva teve que fugir de casa para poder se casar com um sujeito pobre e "mulato", embora político promissor.
Participou das campanhas abolicionista e republicana. Iniciou a carreira política ao ser eleito para a Assembleia Constituinte em 1890. Em 1903 foi eleito sucessivamente senador e presidente do estado do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo até 1906 quando foi eleito vice-presidente de Afonso Pena. Como presidente do estado do Rio de Janeiro, assinou, em 26 de fevereiro de 1906, o Convênio de Taubaté.
Quatro dias após o Convênio de Taubaté, em 1 de março de 1906, foi eleito vice-presidente da república, com 272.529 votos contra apenas 618 votos dados a Alfredo Varela. Seus seguidores eram chamados de nilistas.
Foi maçom e Grão-mestre do Grande Oriente do Brasil de 23 de julho de 1917 a 24 de setembro de 1919, quando renunciou ao cargo.
Presidente da República
Presidente Peçanha.
Com a morte de Afonso Pena em 1909, assumiu o cargo de presidente. Seu governo foi marcado pela agitação política em razão de suas divergências com Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador.
Apoiou o candidato Hermes da Fonseca a sua sucessão em 1910, contra Rui Barbosa e o presidente de São Paulo Albuquerque Lins, candidatos de oposição que fizeram a campanha civilista. Hermes venceu as eleições e foi eleito presidente da república em 1 de março de 1910. Os conflitos entre as oligarquias estaduais se intensificaram, sobretudo em Minas Gerais e São Paulo. Minas Gerais apoiou Hermes e São Paulo apoiou Rui Barbosa, lançando seu presidente Albuquerque Lins à vice presidência na Campanha Civilista. Hermes da Fonseca foi eleito para governar de 1910 a 1914.
Durante seu governo presidencial, Nilo Peçanha criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), e inaugurou o ensino técnico no Brasil.
Selo dos Correios com a imagem de Nilo Peçanha.Ao fim do seu mandato presidencial, retornou ao Senado e, dois anos, depois foi novamente eleito presidente do Estado do Rio de Janeiro. Renunciou a este cargo em 1917 para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Em 1918 foi novamente eleito senador federal.
Em 1921 foi candidato à presidência da República pelo Movimento Reação Republicana, que tinha como objetivo contrapor o liberalismo político contra a política das oligarquias estaduais. Embora apoiado pelas situações pernambucana, baiana, gaúcha e fluminense, e por boa parte dos militares, foi derrotado pelo candidato Artur Bernardes nas eleições de 10 de março de 1922. O presidente da república na época, Epitácio Pessoa, não participou das negociações (demárches), sobre sua sucessão presidencial.
Artur Bernardes teve 466.877 votos contra 317.714 votos dados a Nilo Peçanha. Nilo teve apoio apenas dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia.
Faleceu em 1924, no Rio de Janeiro, afastado da vida política e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.
Bibliografia
KOIFMAN, Fábio; Organizador - Presidentes do Brasil; Editora Rio; 2001.
PEÇANHA, Celso; Nilo Peçanha e a Revolução Brasileira; Editora Civilização Brasileira; 1969.
PEÇANHA, Nilo, Economia e Finanças: Campanha Presidencial (1921-1922), Editora Imprensa Nacional, 1922.
SILVA, Hélio; Nilo Peçanha – 7º Presidente do Brasil; Editora Três; 1983.
SANTIAGO; Sindulfo, Nilo Peçanha, uma Época Política; Editora Sete; 1962.
TINOCO, Brígido; A Vida de Nilo Peçanha; Editora Jose Olympio; 1962.

sábado, 16 de setembro de 2017

Há 63 anos, o Hino de Campos era cantado pela primeira vez em público


Há 63 anos, no dia 16 de setembro de 1954, o Hino de Campos, de Azevedo Cruz e Newton Perissé Duarte, era cantado pela primeira vez em público, realizado no Clube de Regatas Saldanha da Gama, pelo Orfeão de Santa Cecília.
Em 2011, uma nova trajetória foi marcada na história do hino e da cidade de Campos, já que houve a gravação da orquestração do Hino à Campos feita pelo maestro Luis Mauricio Carneiro.
Foi a primeira gravação de áudio da orquestração do hino feito exclusivamente por encomenda do maestro Jony William para a Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino, que teve como primeira apresentação em público em 2009 no Teatro Municipal Trianon.
A gravação foi uma iniciativa do Orfeão de Santa Cecília na documentação e divulgação da história musical da cidade. 
Hino do município de Campos dos GoytacazesLetra: Azevedo Cruz/melodia: Newton Périssé Duarte
Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés
Nada iguala os teus dons, os teus primores
Val de delícias, o teu céu azul
Minha terra natal ninho de amores
Urna de encantos, pérola do sul
Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Rio que rolas dentro do meu peito.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Há 143 anos, era inaugurado o Theatro Empyreo Dramático


Em um dia como hoje 06 de setembro do ano de 1874 (há 143 anos), foi inaugurado o Theatro Empyreo Dramático, local das conferências abolicionistas e, por isso, interditado pela polícia sob pretexto de ser um prédio inseguro.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Há 70 anos era fundado o Hospital Abrigo Dr. João Viana, em Campos


Nesta terça-feira (05/09) o Hospital Abrigo Dr. João Viana está completando 70 anos. O Hospital Abrigo Dr. João Viana iniciou em 1947 como um abrigo para atendimento aos casos de loucura. Os espíritas se revezaram nos cuidados diretos àqueles que eram recolhidos às cadeias públicas.

O tempo passou, as modificações se fizeram necessárias e o então Abrigo foi sendo transformado em um Hospital com atendimento humano, mas também especializado. Médicos, psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, professores de educação física, colaboradores e voluntários, e toda uma infra-estrutura de atendimento hospitalar foi organizada para melhor atendimento ao paciente portador de patologia psíquica.
    
Conscientes de que estudar é preciso, trabalhar é necessário e amar ao próximo é o menor caminho para chegar a Deus, a instituição tem lutado para cumprir a missão de suscitar no coração de nosso irmão, mesmo em tempo de transitório desequilíbrio, a esperança, a alegria de viver e de renascer, a cada dia.

Apostar na cura ou na manutenção do doente fora dos muros da instituição psiquiátrica é, para todos nós, o mesmo que “voar e cantar enquanto resistirem as asas”...

Conheça e participe, são muitos os desafios e necessidades...

Liga Espírita de Campos, Mantenedora do Hospital Psiquiátrico Espírita Dr. João Viana

R Machado de Assis 49 - Centro / Campos, RJ | CEP: 28027-040 /  (22) 2726-9088

Há 58 anos era inaugurada a Agência da BANERJ em Campos


Em um dia como hoje, 05 de setembro do ano de 1959, foi inaugurada a Agência da BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) em Campos.

O banco foi criado como Banco da Prefeitura do Distrito Federal S.A. Posteriormente teve sua denominação alterada para Banco do Estado da Guanabara após a incorporação do BERJ (1975) em decorrência da fusão do Estado da Guanabara com o antigo Estado do Rio, para BANERJ. Sempre foi um banco presente em todas as cidades do Rio de Janeiro e manteve filiais em todas as capitais brasileiras. Chegou a contar com 250 agências.

Em dezembro de 1994 o BANERJ, passou a ser administrado pelo Banco Bozano-Simonsen. Imediatamente os novos administradores demitem funcionários, introduzem altas taxas de manutenção de conta e fecham dezenas de agências deixando fora do estado do Rio apenas uma agência aberta em São Paulo e outra em Brasília.

Apesar disso tudo, durante os anos de 1994-1997 o banco volta a dar lucro e grandes avanços se dão com a administração do Bozano-Simonsen, como a troca dos caixas eletrônicos pelas primeiras máquinas com saída de dinheiro; integração à rede 24 horas; integração à rede Verde-Amarela de Bancos estaduais (rede existente até hoje); primeiro site da Internet e instalação de terminais eletrônicos nos principais pontos do estados (formando a Rede Caixa Verde). No final de 1997, o BANERJ não só volta a dar lucro mas também se moderniza, o que seria uma clara indicação contra sua venda, mas com o estado do Rio necessitando "fazer caixa", o governo Marcello Alencar resolve vendê-lo para pagar parte das dívidas existentes.

Para vender o BANERJ, o estado do Rio de Janeiro teve que adquirir o Previ-Banerj (Fundo Previdenciário dos funcionários do BANERJ) que tinha prejuízo de mais de 350 milhões de reais. Da venda em si o Estado do Rio só obteve 300 milhões, ou seja, para vender o BANERJ, o estado do Rio teve ainda que desenbolsar 50 milhões. No dia 26 de junho de 1997, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, o BANERJ foi leiloado. O patrimônio líquido do banco na data do leilão era de R$ 181 milhões, sendo vendido 99,97% do seu capital social por R$ 311 milhões. O grupo Itaú arrematou as 190 agências, 1.000.000 de clientes e imediatamente esse novo grupo toma posse das agências. O governador Marcello Alencar, juntamente com seu filho Marco Aurélio Alencar (Diretor Financeiro do BANERJ), articulam junto ao Governo Federal do Brasil, um empréstimo ponte, da ordem de R$ 1.100.000.000,00 (Um bilhão e cem milhões de reais), para cobrir um pseudo-rombo financeiro e quitar as dívidas futuras do BANERJ, com a CAIXA-PREVI-BANERJ, e estes valores ficaram conhecidos como: Conta "A" de Aposentados a receber pensões e aposentadorias; e a CONTA "B" de credores a receber dívidas trabalhistas na justiça do trabalho.

Desde o início o Itaú demonstrava que não tinha interesse em manter o BANERJ como um banco independente. Já na primeira semana de administração muda o nome do banco de Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A para Banco BANERJ S/A, oficialmente em setembro de 1997 o estado do Rio de Janeiro se tornava o único estado da federação naquele momento a não ter independência bancária.

Já em dezembro de 1997, todas as operações com boleto bancário, fundos, previdência, seguros, cartões de crédito, número das agências, investimentos passavam a portar na pessoa jurídica do Banco Itaú transformando o BANERJ uma simples corretora de serviços bancários. É fechada toda rede de caixas eletrônicos Caixa Verde (implantada nos tempos de administração do Banco Bozano-Simonsen) e os cartões BANERJ são aceitos a partir da rede de caixas eletrônicos Itaú, evidenciando uma futura incorporação.

O grupo Itaú rompe com a REDE 24Horas e deixa os clientes presos somente ao Redeshop e aos caixas eletrônicos do grupo Itaú.

No ano 2000, os principais municípios do estado do Rio de Janeiro orientam seus servidores a escolher qualquer outro banco para onde poderia ir seus salários, uma verdadeira debandada onde centenas de milhares de contas são fechadas esvaziando ainda mais a instituição.

Em 2002, mais agências são fechadas (inclusive a de São Paulo) e o banco não tem mais presidente próprio, sendo seu principal dirigente um gerente sem maiores poderes (a não ser um procurador) da presidência do Itaú em São Paulo. O BANERJ então só existia mesmo no papel e era apenas uma subsidiária de um grande grupo empresarial.

Mesmo condenado a ser incorporado, o BANERJ ainda salva o estado, como no passado, com um empréstimo de aproximadamente 600 milhões para pagar o 13º salário de 2002 já em dezembro de 2003. Mesmo assim, é fechada a agência de Brasília e o banco conta com menos de 70 pontos de atendimento no estado do Rio, é iniciada a incorporação definitiva do BANERJ pelo Itaú.

Pelo contrato de privatização de setembro de 1997, em sete anos o BANERJ teria exclusividade para ser o agente bancário do estado, ou seja, pagamento dos funcionários e movimentações financeiras do governo estadual e suas empresas estatais. Esse contrato terminaria em setembro de 2004, e o governo estadual decide fazer outro contrato onde a figura do BANERJ era dispensável.

Após a assinatura do acordo em julho de 2004, o Grupo Itaú anuncia imediatamente a incorporação do BANERJ em duas fases: a primeira com agências do interior em 13 de setembro de 2004 e na capital no dia 13 de dezembro de 2004.

Em 2011, o Bradesco levou, por R$ 1.773.717,710, o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj) - R$ 1,025 bilhão somente pelo banco - e R$ 748 milhões pelo direito de operar as contas dos mais de 400 mil servidores do Estado no leilão ocorrido em 20 de maio, no prédio da extinta Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O ágio sobre o valor mínimo foi de 99,78%. O Bradesco leva assim um crédito fiscal de R$ 3 bilhões, além do depósito do pagamento dos servidores ativos e inativos do Estado do Rio de Janeiro por três anos, a partir de janeiro de 2012. O Berj é o que restou do antigo Banerj, privatizado em 1997.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Professor e advogado Nelson Pereira Rebel nasceu há 115 anos

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No dia 4 de setembro de 1902 (há 115 anos), nasceu o professor e advogado Nelson Pereira Rebel.

Nasceu em Campos no dia 04 de setembro de 1902 e faleceu no dia 13 de outubro de 1956, aos 55 anos de idade. Filho de João Antonio Rebel Filho e Ana Pereira Rebel.

Nelson desde a infância se revelou muito estudioso, por este motivo foi, desde bem novo, encaminhado para o Grupo Escolar João Klapp, passando, a seguir para o colégio de dona Iolanda Hamberger. Já alfabetizado passou a ter aulas com dona Branca Cardoso para se preparar no vestibular do Liceu de Humanidades de Campos. Em 1914 passou a estudar naquela instituição de ensino.

Após o término do curso,  matriculou-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Com muito sacrifício sua família pode mantê-lo por um tempo, em condições mínimas, na então capital da República, onde fora residir em casa de família como pensionista.

Mas as coisas pioraram e Rebel foi morar na casa de um tio em Santa Rosa, Niterói (RJ). Todo dia pegava a barca e atravessava para o Rio. Destacava-se por sua dedicação e inteligência junto aos professores. A seguir deixou Niterói e foi morar na casa de seu amigo Rossine Nolasco.

Adoentado e em dificuldades financeiras, o pai de Rebel o convoca a voltar para sua terra natal e se dedicar ao comércio da família, já que lhe faltavam os recursos para prosseguir com os estudos. A família se uniu novamente e com um esforço maior Nelson pode dar continuidade aos seus estudos.

Nas horas de folga, Rebel convivia com o escritor Coelho Neto, que o recebu em sua casa, tornando-se familiar e amigo dileto, estimado por todos da família, como fora, também, do douto casal Bevilacqua, onde absorvia as lições e palavras eruditas do mestre civilista.

Em 4 de novembro de 1922  recebe a notícia da morte de seu pai. Mesmo com grande dificuldade, decide concluir o curso.  Em 1926 finalmente recebe o diploma de bacharel em Direito.

Pensando em sua família, Rebel retorna a Campos, onde monta seu escritório de advocacia e passa a ser o defensor dos pobres. Um tempo depois foi convidado para ser responsável pelo setor jurídico da prefeitura. Mais tarde se tornou procurador da prefeitura e inspetor federal do Ensino Comercial.

Com a credencial de professor de Direito na Escola Clovis Bevilacqua, da qual foi um dos fundadores, o Governo convida-o a dirigir o Departamento de Educação do Estado.

Casou-se com Zilá Peixoto Pereira Rebel e continuou cuidando de sua mãe e irmãs. Nelson e dona Zilá tiveram três filhos: Cleia, Sandro e Icléia.

Foi professor e diretor do Liceu de Humanidades de Campos e da Escola Normal.

Advogado, jurista, político e professor, dr. Rebel  foi o primeiro presidente da recém fundada Academia Campista de Letras, em 15 de julho de 1939, onde figuravam intelectuais de renome tais como: Gastão Machado, Godofredo Nascente Tinoco, Barbosa Guerra, José Landim, Rinaldi Antunes, Rogério Gomes de Souza, Alberto Lamego e Lamego Filho.

Pereira Rebel foi eleito para a Academia Fluminense de Letras, para ocupar a cátedra de Quintino Bocaiuva, mas não chegou a tomar posse de sua cadeira.

Eleito deputado constituinte, ocupou a presidência da Assembleia Estadual (Alerj), em 1945. Ocupando, em seguida, a Procuradoria Geral do Estado, onde procurava aplicar a lei com justeza, dessa forma contrariando  interesses de muitos. Porém, através de atos oficiais publicados, recebe a notícia de ser demitido "a pedido" do cargo de procurador geral do Estado. Como seu último emprego, foi Rebel conduzido à advocacia da Caixa Econômica Federal.

Nelson Pereira Rebel foi um apaixonado de Azevedo Cruz, ocupou, na ACL, a cadeira que tem como patrono este ilustre poeta campista e autor de "Amantia Verba", poema que exalta a sua terra natal. No entanto, Nelson não teve tempo de se dedicar ao estudo sobre o poeta e sua obra não se realizou.

Obra:

Questão criminal (Arlindo P. Humberto Pacheco) – 1936

Discurso – Proferido na solenidade da promulgação da Carta Magna Fluminense – 1947

Saudação (ao Dr. Heitor Camillo, em 26/09/32 Hotel Flávio) – 1937

Ética profissional (Conferência realizada na Escola de Direito Clovis Bevilaqua – 1938

Ruy em Haia (Discurso em 09/11/49, na Assembléia) – 1954

Processo criminal Dr. Alberto Senra Filho – 1938

Memorial na Ação da Reclamação – Sebastião O. contra a Prefeitura Municipal de Campos - 1938

Fonte:

CARVALHO, Waldir Pinto de. Gente que é nome de rua, 1988.

AMORIM, Carlos. Em memória de Nelson Pereira Rebel, 1956.