quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Há 115 anos, morria o jornalista e abolicionista José do Patrocínio

O jornalista José Carlos do Patrocínio, uma das figuras mais importantes da campanha pelo fim da escravidão no país, morreu em 29 de janeiro de 1905 (há 115 anos), no Rio de Janeiro. Filho de uma escrava alforriada e de um vigário, Patrocínio passou a infância livre, mas conviveu com os escravos e pôde testemunhar os rígidos castigos a que eram submetidos. Nascido em Campos dos Goytacazes, Patrocinio trocou sua cidade natal pelo Rio de Janeiro aos 14 anos de idade.
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Apesar de ter se formado em farmácia, Patrocínio logo descobriu seu talento para a escrita. Iniciou a carreira de jornalista publicando o quinzenário satírico Os Ferrões, que teve um total de dez edições entre 1 de junho e 15 de outubro de 1875.

Dois anos depois, foi contratado pela Gazeta de Noticias como redator encarregado da coluna Semana Parlamentar. Foi neste espaço que começou a campanha pela abolição da escravatura. Em 1880 fundou, junto com Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.
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Com recursos do sogro, comprou a Gazeta da Tarde e assumiu sua direção. Em maio de 1883, escreveu a Confederação Abolicionista, congregando todos os clubes abolicionistas do país sob um mesmo manifesto assinado por ele.

Mas o jornalista não somente escrevia sobre a abolição. Patrocínio também ajudou na fuga de escravos e coordenou campanhas para juntar fundos para comprar alforrias, promovendo espetáculos ao vivo, comicios em teatros e manifestações em praças públicas.

Em setembro de 1887, abandonou a Gazeta da Tarde para fundar um novo jornal, A Cidade do Rio, onde intensificou sua atuação política. Foi neste jornal que pôde comemorar, em 13 de maio de 1888, a vitória da campanha pela abolição.

Há 69 anos era fundado o Hospital dos Tuberculosos em Campos, hoje Ferreira Machado

No dia 29 de janeiro do ano de 1951 (há 69 anos), foi inaugurado o Sanatório para Tuberculosos, hoje conhecido como Hospital Ferreira Machado. Em 1975 o Hospital dos Tuberculosos fecha as portas e somente reabre 16 anos depois, em 1991.
Na foto (acima) de 1958 se vê a ponte General Dutra, e o Hospítal Ferreira Machado, na época Hospital dos Tuberculosos. Perceba que em 1958, a Presidente Vargas é rua até o Cemitério do Caju, a cidade "termina" ali, bairros como Pecuária, Corrientes, Nova Brasília, entre outros ainda não existiam. No local imensos campos.

Sanatórios, muito comuns nos tempos mais antigos, são edifícios para onde os doentes com tuberculose ou outras doenças eram encaminhados, ficando assim completamente excluídos da sociedade. Regra geral, situavam-se em locais altos e arejados, proporcionando um contacto privilegiado com a natureza.


Sanatório - É o lugar onde são internadas as pessoas que precisam de tratamentos para serem "saradas", vem de sanar. É conhecido popularmente como um local para identificar o lugar onde são sanadas as enfermidades mentais, mas, trata-se todos os tipos de doença em geral. De acordo com o dicionário, "Estabelecimento que recebe doentes para tratamento ou convalescença." É comumente confundido com manicômio e hospício.

DE ONDE SURGIU O NOME DO HOSPITAL?

DADOS BIOGRÁFICOS

No livro Gente que é Nome de Rua (CARVALHO, pp.96,97), consta que Manoel Ferreira Machado, nasceu em São João da Barra em 16 de abril de 1867. Ligado às atividades comerciais e industriais. Em Campos, inicialmente, fundou a firma FERREIRA MACHADO & CIA. LTDA e depois se interessou pela indústria canavieira. Pelos seus préstimos aos mais necessitados recebeu o título de Benemérito da Santa Casa de Misericórdia de Campos.

Em seu testamento deixou a quarta parte de sua imensa fortuna para as Casas de Caridade de São João da Barra e de Campos.

Hospital Ferreira Machado, erguido no lugar onde existiu o Hospital dos Tuberculosos ou Isolamento, leva o seu nome em homenagem aos seus feitos aos mais necessitados. Foi inaugurado em 29 de janeiro de 1951.

Manoel Ferreira Machado faleceu em Campos, no dia 15 de setembro de 1945, com 77 anos.

Como político foi vereador chegando à presidência da Casa de Vereança em 1924.

sábado, 25 de janeiro de 2020

Há 71 anos foi instalado o primeiro semáforo da cidade de Campos



No dia 25 de janeiro do ano de 1949 (há 71 anos), foi instalado o primeiro semáforo da Cidade de Campos dos Goytacazes, na esquina das Ruas Alberto Torres com Barão de Miracema (antiga São Bento), sob protestos de muitos motoristas.


71 anos depois, o semáforo, da famosa Pracinha do Canhão não é mais o mesmo daquela época, mas se uniu a outras tantas dezenas de semáforos que se espalharam pela cidade.

Atualmente, segundo o presidente do IMTT, Felipe Quintanilha, "Temos 123 cruzamentos semafóricos (ou seja, temos 123 controladores semafóricos, que é diferente da que a gente enxerga, pois olhamos os porta focos e chamamos de semáforo. Nessa linha de raciocínio, alcançaríamos mais de 300, pois cada cruzamento tem no mínimo 2 porta focos, podendo chegar 6, como no cruzamento da José Alves de Azevedo com 28 de março).

- Temos 10 semáforos fora de cruzamentos 

- Totalizando 133 controladores semafóricos".
O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) mantém um “Plantão de Semáforos”, para manutenção dos sinais de trânsito além do horário comercial e também nos finais de semana. De segunda-feira a sexta-feira, ele funciona até as 22h. Aos sábados, domingos e feriados, o atendimento é das 8h às 17h. O serviço pode ser acionado através do telefone (22) 99855-9596. 

Nos casos em que surgirem problemas no sistema fora do horário do plantão, entre 22h e 8h, a orientação é entrar em contato com outro número de telefone: o (22) 98175-1160. 
O primeiro semáforo
O primeiro semáforo dedicado ao controle de fluxos de veículos, mostrado acima, começou a operar em 10 de Dezembro em 1868, em Londres, no cruzamento das ruas George e Bridge, perto do Parlamento. Foi projetado pelo engenheiro ferroviário J. P. Knight e possuia dois braços que, quando estendidos horizontalmente significavam "Pare" e quando inclinados a 45 graus significavam "Siga com cuidado". À noite, uma lâmpada de gás verde e uma vermelha reforçavam as indicações dos braços. Uma particularidade curiosa é que dispunha de uma campainha que soava instantes antes de cada mudança de permissão de passagem. Entretanto, o equipamento explodiu 23 dias depois de entrar em operação, matando o polical que o estava operando e desincentivando novas invenções nesta área por um bom tempo.
Semáforo de potts
O primeiro semáforo elétrico foi criado, em 1912, por Lester Wire, oficial da polícia de Salt Lake. Era bastante rústico e consistia numa caixa de madeira com uma cobertura inclinada para facilitar o escoamento da chuva e da neve. As lâmpadas eram pintadas de verde e vermelho e sua luz passava através de aberturas circulares feitas na caixa.

Em 1920, um policial de Detroit, chamado William Potts, construiu vários semáforos do tipo verde-amarelo-vermelho. Alguns foram montados no alto de "torres de trânsito" e eram operados manualmente por policiais ali posicionados. Outros foram fixados em cordoalhas sobre a pista. Os semáforos de Potts já eram muito semelhantes aos que conhecemos atualmente. A figura abaixo mostra um semáforo de quatro faces que está exposto no Museu Henry Ford, em Dearborn, Michigan, onde se lê a seguinte explicação:


"O primeiro semáforo do mundo, do tipo verde-amarelo-vermelho, com quatro faces, foi instalado no cruzamento da Avenida Woodward com a Rua Fort, em Detroit, Michigan, no Outubro de 1920. Foi projetado pelo inspetor de polícia William L. Potts. O seu formato é praticamente o mesmo dos semáforos atuais."

Quando foi criado o semáforo no Brasil?

Foi no Brás, no centro, em 1935, que os automóveis começaram a parar na chamada Esquina da Porteira, obedecendo ao comando das luzes verde, amarelo e vermelho. Era o primeiro semáforo de São Paulo, instalado pelo Departamento de Serviço de Trânsito (DST)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Há 94 anos nascia o poeta e jornalista Amaro Prata Tavares

No dia 24 de janeiro do ano de 1926 (há 94 anos), nascia o poeta e jornalista Amaro Prata Tavares.

Nasceu no dia 24 de janeiro de 1926, em Conceição de Macabu (RJ), e faleceu aos 11 de julho de 1994. Filho de Castro Tavares da Silva e Izaltina Prata Tavares. Dos 4 aos 6 anos viveu em Siqueira Campos, no Espírito Santo. Depois viveu em Campos – onde cursou o primário no colégio Santos Dumont - até os 24 anos de idade, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Regressou a Campos em 1958.

Fez o curso Comercial Básico na Escola Técnica de Comércio de Campos. Em 1946, ingressou no Colégio Batista Fluminense, onde concluiu o curso ginasial. No Rio estudou no Instituto Santa Rosa.

Pertenceu ao Clube de Poesia de Campos. Participou do grêmio Teatral Gastão Machado, do qual foi um dos fundadores. Fundou no Rio de Janeiro o grêmio Cívico-Literário “Euclides da Cunha”, do qual foi presidente. Obteve, em 1954, o prêmio “Almir Soares”, da Academia Pedralva de Letras e Artes, com o conto “A última cena”.

Pertenceu à União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro. Foi sócio efetivo da Academia Pedralva, vice-presidente de cultura da União Brasileira de Trovadores (UBT), diretor do Departamento de Difusão Cultural da Prefeitura de Campos, diretor-chefe do jornal “A Noticia”, editor e criador da revista “Momento Cultural”, presidente do grupo Uni-Verso, foi membro do Instituto Campista de Literatura (ICL).

Obras:
‘Seis poetas’ – 1959
‘Oito Trovadores’ – 1960
‘Seis prosadores’ – 1962
‘Passo e passo’ – 1973
‘Ato 5’ – 1979
‘4 em 1’ – 1986

Fonte: Noite do escritor Campista - 1973

Há 99 anos foi criada a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia de Campos


No dia 24 de janeiro do ano de 1921 (há 99 anos), foi criada a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia de Campos.

O 24 de janeiro é um dia especial para toda a comunidade campista, pois foi quando ocorreu a fundação da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC), que está completando, nesta sexta-feira, 99 anos de muitas realizações. Ao longo deste quase um século, a SFMC foi palco de discussões importantes que contribuíram não só para a história da Saúde de Campos, mas de toda a sociedade.

Uma relíquia, o prédio, onde anos depois se instalou também a Faculdade de Medicina de Campos (FMC), foi construído pelos associados da SFMC há 99 anos, denominado inicialmente de Policlínica. A Sociedade de Medicina é uma entidade sem fins lucrativos, formada por médicos associados, tendo como objetivos a promoção de diversos eventos de cunho científico, cultural e social, voltados para os profissionais da Saúde e e a comunidade campista.

Há 101 anos nascia o poeta e um dos fundadores da Academia Pedralva, Pedro Manhães

No dia 24 de janeiro do ano de 1919 (há 101 anos), nascia o poeta e, um dos fundadores da Academia Pedralva Letras e Artes, Pedro Manhães.

Nasceu em Campos dos Goytacazes, em 24 de janeiro de 1919. Filho de Manuel Batista Manhães e Romana Batista Manhães.

Fundou a Academia Pedralva, em 20 de fevereiro de 1947, com Walter Siqueira e Almir Soares, tendo exercido nela os cargos de presidente (1958 a 1960), tesoureiro e bibliotecário. Foi membro da Academia Friburguense de Letras, da Academia Cultural Humberto Campos, do Instituto de Cultura Americana - Tolosa (Argentina), delegado regional do Grêmio Brasileiro de Trovadores, membro da Sala de Letras e Artes “Gabriela Mistral” - de Petrópolis, membro da Academia Cachoeirense de Letras.

Recebeu o Prêmio “Almir Soares” (1957), com o conto “Chidia”.

Obras:
Diana – 1949
Quadros e Quadras – 1954
Brindes – 1956
Cantigas do Outono (Poemas) – 1958
Restos – 1959
Seis poetas – 1959
Dores que eu também sinto – 1960
Oito trovadores – 1960
Cantiguinhas  (trovas)– 1961
Maria (trovas) – 1961
Seis trovadores (parceria) – 1962
Cantigas de quem tem fé – 1962
Ainda há lírios no bosque – 1964 (3)
Quadras de adolescência – 1969
Cinquentão – 1971
Perto de Deus – 1971
Vinte canções de amor do mesmo tom – 1981

Para ver você passar (poema) – 1982
Querida – 1984
Leve...Livre... Ligeiro... – 1985
Nós dois… Anete – (poemas) – 1987
Em família (versos) – 1988
Domingo também é dia... (organizador da coletânea) – 1981
Mário Fontoura – A obra e o homem (palestra) - 1979
Rosa e saudade -
Segredo -
Prosa sem compromisso -
Maria – 1960
Almas pecadoras -

Fonte: Antologia de poetas e trovadores da Academia Pedralva de Letras e Artes- 2005
Biblioteca Welligton Paes
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A Academia Pedralva Letras e Artes foi fundada em 20 de fevereiro de 1947 por Pedro Batista Manhães, Almir Soares e pelo professor Walter Siqueira na cidade de Campos dos Goytacazes, situada no norte do estado do Rio de Janeiro.

Foi numa oficina de bicicletas, de Hermann Lessa, na antiga Rua Barão de Cotegipe, atual Governador Theotônio Ferreira de Araújo, onde funciona hoje a firma Neves e Irmãos, que nasceu a idéia da fundação da Academia Pedralva, formada pelas iniciais de seus três fundadores, poetas Pedro Baptista Manhães, Almir Maciel Soares e Walter Siqueira, todos, na época, jovens, inspirados e entusiastas pela poesia.

Mais tarde, já fundada, a Pedralva começou a se reunir efetivamente na residência do poeta-fundador Pedro Manhães, na Rua Conselheiro José Fernandes (ex-Rua dos Bondes), em frente à Primeira Igreja Batista de Campos, com a presença de dezenas de poetas, trovadores e cronistas da terra. Eram reuniões inteligentes, agradáveis, bem-humoradas, durante as quais eram servidos café e refresco amigos. Pedro foi sempre um gentleman.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Há 93 anos os pardais (aves) chegavam à Campos dos Goytacazes


No dia 05 de dezembro do ano de 1926 (há 93 anos), foram introduzidos os pardais em Campos dos Goytacazes, através de 4 casais destes pássaros, soltos nos jardins da Sociedade Portuguesa de Beneficência (hoje Beneficência Portuguesa).
Passer domesticus (macho)
Passer é um gênero da família Passeridae, também conhecido como pardal. O gênero inclui o P. domesticus e o P. montanus, algumas das aves mais comuns no mundo. São pequenos pássaros com bicos grossos para comer sementes, e são na sua maioria de cor cinza ou marrom. Nativo no Velho Mundo, algumas espécies foram introduzidas por todo o mundo.
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Distribuição
Um bando de P. luteus perto do Mar Vermelho, no Sudão.
A maioria das aves são encontradas naturalmente em habitats abertos nos climas mais quentes da África e sul da Eurásia. Estudos sobre a evolução sugerem que o gênero se originou na África.[1] Várias espécies se adaptaram com a habitação humana, e isso permitiu que o P. domesticus em particular, em estreita associação com os seres humanos, de ampliar o seu alcance na Eurásia bem além do que foi, provavelmente, seu lar original no Oriente Médio. Além desta colonização natural, o P. domesticus foi introduzido em muitas partes do mundo fora de seu habitat natural, incluindo a América, a África subsaariana, e a Austrália. O P. montanus também foi introduzido artificialmente em menor escala, com populações na Austrália e localmente em Missouri e Illinois, nos Estados Unidos.[9] Sua chegada ao Brasil foi por volta de 1903 (segundo registros históricos), quando o então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, autorizou a soltura deste pássaro exótico proveniente de Portugal.
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Comportamento
As espécies do gênero Passer constroem um ninho desordenado, que, dependendo da espécie e da disponibilidade no local do ninho, pode ser em um arbusto ou árvore, em um orifício natural numa árvore, em um edifício, ou mesmo um ninho de outras espécies, tais como a cegonha-branca. Bota até oito ovos e é incubado por ambos os pais, normalmente por 12 a 14 dias, mas pode chegar de 14 a 24 dias.

Se alimentam principalmente de sementes, embora também consumam pequenos insetos, especialmente no período de reprodução. Algumas espécies, como o P. griseus procuram comida em torno das cidades e são quase onívoros. A maioria das espécies são gregários e formam bandos substanciais.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Há 139 anos foi fundado o Liceu de Humanidades de Campos

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No dia 22 de novembro do ano de 1880 (há 139 anos), foi fundado o Liceu de Humanidades de Campos.

O nascimento do Liceu de Campos remonta aos auspícios da organização do ensino brasileiro, no Período Regencial, com a decisão de que o ensino secundário seria promovido e administrado pelos governos provinciais (hoje estaduais). A cogitação de um estabelecimento no norte fluminense registrou-se em 1844 através da edição da lei provincial n° 143 de 14 de março daquele ano, em seu artigo 1°:
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Haverá na cidade de Campos dos Goitacazes um liceu provincial

Em 11 de abril de 1847, o Liceu Provincial de Campos finalmente foi inaugurado, contando inclusive com a presença do imperador D. Pedro II. Uma série de percalços haveriam de extinguir o colégio em 30 de abril de 1858. Em 22 de novembro de 1880 foi refundado com a denominação atual, através do decreto provincial n° 2.503, e daí em diante prosperou até os dias de hoje.

As instalações do Liceu
O primeiro colégio sempre funcionara em instalações provisórias. O segundo cessaria este ciclo itinerante em 1883, quando figuras proeminentes da cidade mobilizaram-se e angariaram fundos para a instalação do educandário em uma sede definitiva. Com 14 contos de réis angariados da população e 11 doados pela Câmara Municipal, em 12 de dezembro daquele ano, a comissão arremata em leilão, o palacete de estilo neoclássico do espólio de José Martins Pinheiro, o Barão da Lagoa Dourada, um dos mais ricos edifícios da cidade naquela época. O solar foi construído entre 1861 e 1864 para abrigar a família do nobre até a fatalidade de seu suicídio. A instalação no prédio deu-se no dia 1 de março de 1884.
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Desta forma, com um prédio próprio, o ensino do Liceu de Campos dos Goytacazes adquiriu excelência, e se tornou uma escola de porte secundário equiparada ao Colégio Pedro II do Rio de Janeiro. Era a única instituição de ensino público do interior da província na época que apresentava ensino de qualidade, uma vez que o Liceu Provincial de Niterói, e seu sucedânio - o Liceu de Humanidades de Niterói - haviam sido extintos.

Protesto
No dia 8 de Março de 2013, centenas de alunos do Liceu de Humanidades de Campos fizeram um protesto no centro da cidade de Campos dos Goytacazes parando as principais avenidas da área central da cidade, com destino a Coordenadoria de Educação do Estado, localizado enfrente a rodoviária velha.
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Alunos em protesto
Os Alunos revindicaram melhorias na estrutura da escola, como ar-condicionados, ventiladores e mais salas (o colégio na época passava em reformas em algumas salas). O protesto organizado pelo Grêmio estudantil da escola teve forte repercussão na mídia estadual com grandes jornais locais como: O Diário, Folha da Manhã, Jornal Terceira Via, Inter TV Planície e Record Campos. 
Os alunos só saíram de frente da Coordenadoria quando o responsável pela unidade assinou um documento informando que está ciente e que iria fazer alguma coisa.

Consequências
O protesto feito pelos alunos da escola trouxe diversas consequências, boas e ruins, o protesto trouxe para o projeto de reforma da escola os ar-condicionados, de contrapartida por consequência das obras o colégio ficou sem espaço para todas as turmas, gerando mais um protesto no dia 08 de julho de 2013 com a finalidade de banir a ideia que 14 turmas terem que estudar no CEJOPA (Colégio Estadual José Do Patrocínio), o período repercutiu na mídia como o anterior, destacando a presença dos pais dos alunos no protesto.
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Atualidades
Em 1894 foi criada a Escola Normal de Campos (ENC) e esta se associou ao Liceu. Em 1954 voltam a ser desmembradas e a Escola Normal passou a denominar-se Instituto de Educação de Campos. Na década de 1960 um prédio anexo foi construído devido à crescente valorização do ensino secundário. Na década de 1990 outro pavilhão foi construído e o prédio principal do solar foi transformado num centro cultural, restando apenas funcionar ali a diretoria, a biblioteca e o Arquivo Histórico do LHC. As turmas foram redistribuídas nas unidades anexas. O prédio foi tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC) em 27 de janeiro de 1988.

Alunos ilustres
A influência do Liceu causou profundas modificações na sociedade campista. Uma cidade atrasada, agrícola, foi transformando-se em uma sociedade urbana, com a inserção de novos ideais. Um destes acabou por transformar o próprio regime de governo do país - o regime republicano. Um dos seus maiores representantes na cidade foi o ex-liceísta Nilo Procópio Peçanha - ex-senador, duas vezes governador do estado do Rio de Janeiro, ex-Presidente da República e o primeiro político a impor vigorosa influência sobre todo o estado. Também ali estudaram Nina Arueira e Clóvis Tavares que, no início da década de 1930, militaram na União da Juventude Comunista.
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Curiosidade
Em seu primeiro dia de aula, o adolescente Nilo Peçanha levou para a sala de aula sua égua de estimação "Tininha". O professor ordenou que levasse o animal de volta para casa.

Hino do colégio
Letra e musica: Alcidia Perez Pia

Na planície goitacá;

De tão grande tradição;

Representa o Liceu;

Um padrão na educação.

Coro:

Liceístas, sempre avante;

Pela glória do Liceu;

Que evocamos com orgulho;

Ó Liceu! Liceu! Liceu!

Grandes vultos o Liceu;

Ao Brasil já pode dar;

São exemplos a seguir;

Para nossa terra honrar.

Coro

Entoemos com amor;

Nosso hino ao Liceu;

Por aquilo que fará;

Pelo muito que já deu.


Coro
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Ícone da próspera economia rural do século XIX na região, o Solar foi construído para residência de um Barão. Em 1883 foi adquirido para que nele se instalasse o Liceu de Humanidades de Campos.

Originalmente residência do Barão e da Baronesa da Lagoa Dourada, o edifício, desde sua construção, manteve forte relação com a cidade de Campos. Atas de reuniões da Câmara Municipal apresentam pedidos do Sr. José Martins Pinheiro, o Barão, rico fazendeiro da cidade, vereador, juiz de paz e pessoa envolvida com o processo de urbanização e com outras causas sociais – haja vista que foi agraciado pelo Imperador com o título nobiliárquico por ter auxiliado, financeiramente, no envio dos “Voluntários da Pátria” à Guerra do Paraguai – de abertura de rua em frente ao prédio, considerado, à época, distante da área urbana central.
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Mandado construir na parte mais alta da cidade, longe das enchentes que assolavam outros locais – por serem mais baixos e próximos do Rio Paraíba do Sul – o Solar foi percebido na cidade como majestosa, rica e moderna obra de arquitetura.

Os jornais noticiaram, à época da inauguração do palacete, ao som de música e dança, que “era o mais rico edifício e o do melhor gosto que hoje se encontra na nossa cidade e seus subúrbios”. Ali havia se instalado um aparelho que produziria gás, o que dá provas que não tinham sido poupados esforços para dotar a residência dos mais modernos avanços tecnológicos, à época.
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A função “de moradia” do prédio durou pouco tempo, porém. Em 1883, após suicídio do Barão, o edifício foi levado a leilão e adquirido, pela Câmara Municipal, para ser o Liceu de Humanidades da cidade de Campos.

Em 22 de novembro de 1880 foi criado o Liceu de Humanidades de Campos, pelo Decreto Estadual n° 2503. Seu regulamento foi aprovado em 21 de outubro de 1881, sendo Presidente da Assembléia Legislativa Provincial João Marcellino de Souza Gonzaga. 
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“Em novembro (de 1883) já estavam angariados 14 contos para a aquisição do prédio. Uma comissão nomeada para escolher o edifício, composta do Dr. Manoel Francisco de Oliveira, Dr. Manoel Rodrigues Peixoto e comendador Antonio Manoel da Costa, preferiu o do então falecido Barão da Lagoa Dourada, sendo arrematado em praça do espólio, 12 de dezembro, pela quantia de 25 contos. Para lo9go, o Presidente da Província, José Godoy e Vasconcellos, em vista da doação feita pela Câmara Municipal de Campos, doação essa aprovada em sessão de 28 de dezembro, mandou fazer a necessária instalação.”

Enfim, em 1884, o Liceu começou a funcionar num prédio cuidadosamente escolhido para representar a importância que a educação escolar passava a ter no novo projeto de país-republicano – que seria vitorioso apenas quatro anos mais tarde. Importante ressaltar a influência de Campos na luta pela abolição do sistema escravocrata e do regime imperial no Brasil.
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A mudança de função do prédio, por outro lado, implicava em modificações que o configurassem como educandário, ou seja, de prédio familiar deveria ser adaptado às novas funções. Algumas dessas modificações, não muitas, aconteceriam logo nos primeiros anos. No ano de 1886, por exemplo, foram mandadas construir ‘latrinas para os alunos e reparos das destinadas aos professores’ (Relato do Presidente da Província, 1883, p. 33). Outras iriam ocorrer posteriormente, com a criação da Escola Normal e da Escola Modelo e com a expansão da escolarização pública a partir dos anos 1960.

As condições climáticas da cidade também determinaram alguns cuidados tomados, à época, seguindo conceitos ‘científicos’. Os preceitos higiênicos de então concebiam a cidade como lugar que deveria ser livre de doenças e de desorganização, com saúde garantida por obras de saneamento que excluiriam tudo que significasse doença, física ou social.
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Apenas quatorze anos depois, o Engenheiro Saturnino de Brito foi contratado para dar início a um projeto de saneamento geral para Campos, marcado pela racionalidade técnica e econômica e provocando ‘uma nova leitura da cidade como organismo vivo em crescimento e como objeto de intervenção’, o que representava uma preocupação política e social de alguns campistas.

Consideramos, ademais, que a localização de uma escola secundária do porte do Liceu – equiparado ao Colégio Pedro II em 1901 e único do tipo no interior do Estado durante o fechamento do Liceu de Niterói – num prédio aristocrático foi um marco na urbanização da cidade de Campos, pois se constituiu em símbolo do ‘moderno’ em área da cidade distante da Câmara, da Matriz de São Salvador e do grande comércio.
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Em relatório do Diretor do Liceu e da Escola Normal ao Secretário do Interior, encontrado recentemente, são descritas adaptações necessárias para o bom funcionamento das escolas: “... as dependências térreas do prédio do Lyceu formam um grande quadrado com uma área central onde vão ser as portas e janellas destas aulas. Estas dependências foram transformadas em onze espaçosas salas, satisfazendo a todas as condições hygienicas... Dá ingresso aos alumnos para a Escola Normal o grande portão do lado esquerdo contiguo ao corpo central do edifício do Lyceu, em cujo pavimento inferior estão as salas de espera das alumnas, a da toilette e uma outra onde estão installadas duas latrinas do systema ‘Unitas’, observadas no seu assentamento todas as condições exigidas pela hygiene. As escolas de applicação são também servidas por duas latrinas do mesmo systema.”

A política de valorização do ensino secundário possibilitou a expansão das matrículas e fez necessária a construção de um prédio anexo, do lado esquerdo do Solar, na década de 1960. Esse prédio, que em nada respeitou o elegante estilo neoclássico da antiga residência do Barão da Lagoa Dourada, foi denominado “Pavilhão João Tavares da Hora”, em homenagem ao estimado professor e diretor do Liceu.
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Em meados da década de 1990 uma nova política estadual foi aventada: ocupar o Solar como um Centro Cultural ligado à Secretaria Estadual de Cultura. Foi iniciada, então, uma ampla restauração do edifício, ao mesmo tempo em que outro anexo, o “Pavilhão Yvan Senra Pessanha”, homenagem a um ex-aluno, era construído na parte dos fundos, à direita.

Os en(cantos) do Solar - o Salão Nobre, a Escadaria, o Mirante, a Sala de Jantar retomaram as funções primeiras. São admirados pelos visitantes como elementos de um rico casarão.
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A mudança da função de prédio, de solar familiar a instituição educativa, é uma característica que não pode ser negligenciada, principalmente porque é um vestígio das políticas educacionais da época. Ainda, essa mudança de função de prédio não se constituiu em fato isolado na cidade, tendo os antigos casarões da época do Império se transformado para albergar novos ocupantes e usos nos limiares do século XX: o Solar do Visconde de Araruama tornou-se Câmara Municipal e o Solar do Comendador Paraíba, o Hotel Gaspar. Mudança esta que não estava desvinculada das transformações pelas quais atravessava a sociedade brasileira, decorrentes de um novo projeto modernizador.

São palavras de Coelho Neto representativas, elas mesmas, do significado da mudança da função do prédio e da mudança da sociedade:“É a mais grata impressão que levo do estabelecimento, solar de um antigo senhor, hoje seminário fecundo. Depois de semeador da terra, o semeador das almas. Prefiro a última lavoura.” 
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Para quem estudou no LICEU nunca se denomina ex-liceísta. São todos eternamente liceístas. Com orgulho desmedido por ter passado por estes bancos escolares, de lembranças maravilhosas e de construção do futuro. O LICEU é o colégio estadual mais procurado pelos pais, em toda região norte do Estado do Rio de Janeiro, que desejam que seus filhos sejam liceístas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Há 180 anos, fuga de escravo era publicada no Jornal Monitor Campista

Resultado de imagem para Jornal Monitor Campista 1839
No dia 20 de novembro do ano de 1839 (há 180 anos), o fazendeiro Antonio Figueiredo publicou no Jornal Monitor Campista, um anúncio de fuga de escravo com o nome de José, que tinha as iniciais “AF” marcadas nas nádegas. Essas letras eram as iniciais do nome de seu proprietário.


ESCRAVIDÃO EM CAMPOS

Solar do Barão de Carapebus

O maior engenho da região possuía 1.400 escravos.

A produção açucareira teve um crescimento contínuo e progressivo que motivou também um comércio crescente de escravos. Antes da abolição, o município tinha 35.688 escravos sobre um total de população livre de 56.000 habitantes.

Após a abolição, a maior parte dos antigos escravos continuou trabalhando como cortadores de cana nas fazendas da região. A fazenda Novo Horizonte, localizada nas proximidades de Conceição do Imbé, era uma das maiores e os antigos escravos, que viraram cortadores de cana assalariados após a abolição, continuaram a morar nas dependências da usina.

Representação dos escravos que trabalhavam nos engenhos.
No final do século XVIII, a região de Campos concentrava o maior número de escravos do Rio de Janeiro: 60% da população era escrava. 

Os africanos eram negociados no Rio de Janeiro, e enviados em embarcações para a região do Norte Fluminense. A maioria dos escravos vinham para trabalhar nos engenhos de açúcar.

Solar dos Airizes
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. Foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar — até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, sendo feriado em cerca de mil cidades em todo o país e nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro através de decretos estaduais. Em estados que não aderiram à lei a responsabilidade é de cada câmara de vereadores, que decide se haverá o feriado no município.
A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. A data, dentre outras coisas, suscita questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira, assim como a promoção de fóruns, debates e outras atividades que valorizam a cultura africana.

sábado, 16 de novembro de 2019

Há 55 anos os bondes paravam suas atividades em Campos

O dia 16 de novembro do ano de 1964 (há 55 anos), foi o último dia de funcionamento dos Bondes em Campos dos Goytacazes. O bonde elétrico de nº 14, trafegou pela última vez em seu itinerário na linha Caju – Centro. Aqui vemos o número 14, no fim da linha, em frente ao cemitério, pouco antes de retirar-se definitivamente para a garagem de bondes.
Campos também adquiriu alguns bondes de segunda mão do sistema de Niterói no final de 1940. O cartão abaixo, datado de novembro de 1947, traz foto tirada com a piscina do Clube de Regatas Saldanha da Gama em primeiro plano e, ao fundo, um bonde não identificado seguindo a margem do Rio Paraíba próximo a Praça São Salvador. No local deste clube hoje se encontra o edifício de um Shopping Center.
Voltando no tempo de nossa Campos dos Goytacazes , atravessada pelo rio Paraíba do Sul, na parte oriental do Estado do Rio de Janeiro, a 40 km do mar e a 275 km a nordeste da cidade do Rio de Janeiro... Foi um dos centros da indústria de açúcar do Brasil e tinha uma população de 30.000 habitantes em 1910. Hoje já passa de  meio milhão... Campos distingue-se por ser a primeira cidade do Brasil – antes mesmo de Rio de Janeiro e São Paulo – a instalar, em 24 de junho de 1883, iluminação elétrica em suas ruas.
A ferrovia de locomotivas a vapor, carinhosamente chamadas de “Marias-Fumaça”, que ligava Niterói e Macaé, estendeu-se a Campos em janeiro de 1875 e a empresa Ferro-Carril de Campos instalou uma linha de bonde à tração animal ao longo da Av. Alberto Torres, entre a Estação do Saco e a Praça São Salvador, em setembro deste mesmo ano.
O bonde à tração animal seria o único transporte público da cidade pelos próximos 41 anos. Em 1891 começou-se a discutir a construção de uma linha que atravessasse o rio, mas nada se concretizou. A foto a seguir mostra a linha de bondes da Av. 15 de Novembro (Beira-Rio) bloqueada por uma das frequentes enchentes do rio Paraíba.
O bonde se espalhou pela cidade. De acordo com o Anuário Estatístico do Brasil, a companhia Ferro-Carril de Campos operava 20 carros para passageiros e 5 carros bagageiros destinados ao transporte de cargas, através de 16 km de trilhos em 1912. O sistema transportava 1.982 mil passageiros e tinha 71 funcionários e 181 mulas.
O chassi possuía dois motores, um na dianteira e outro na traseira. Com este arranjo o bonde podia inverter a direção do movimento sem a necessidade de realizar manobras
O cartão seguinte é uma foto que olha para o sul, através da Rua 13 de Maio em direção a sua junção com a Rua 7 de Setembro. Atualmente estas ruas são para pedestres apenas
Este bonde vem direção à Av. Pelinca, que está por trás do fotógrafo. A vista é para o leste. Os guarda-corpos à esquerda e à direita da foto são parte da ponte sobre o Canal Campos-Macaé, que esta linha do bonde atravessa.
Dois bondes elétricos no lado leste da Praça São Salvador em frente ao belo prédio da sede da Sociedade Musical Lira de Apolo. O bonde visto parcialmente no canto direito da imagem parece ser um modelo de carga. Os automóveis e roupas sugerem 1920, mas o cartão postal foi enviado em 1928.
A seguir o bonde de número 1 (um) em um local não identificado na linha Goytacazes.
Abaixo outro cartão postal com um bonde que corre ao longo do parque da Beira-Rio na mesma Av. 15 de Novembro.
A cena do cartão postal abaixo mostra um dos novos bondes elétricos que passam o obelisco na Av. 15 de Novembro (Beira-Rio).

16/11/1964, imediatamente antes da derradeira viagem: o bonde tinha chegado ao Cemitério do Caju e está a ser preparada a viagem de regresso ao Depôt, pela última vez. O homem no estribo (sem boné) e o que segura uma folha de papel choram. 
A cidade foi a primeira no Brasil - até mesmo antes de Rio de Janeiro e São Paulo - a contar com iluminação pública elétrica, em 24/6/1883, mas foi a 32ª cidade brasileira (uma das últimas) a instalar bondes elétricos.
Em 19/9/1875, a Ferro-Carril de Campos inaugurou um serviço de bondes com tração animal que foi o único transporte sobre trilhos na cidade por 41 anos. Já em 1891 começaram a surgir propostas para construir uma linha através do rio em Guarulhos, mas nada se materializou.
A Companhia Brasileira de Tramways, Luz e Força (CBTLF) foi organizada em 13/8/1914 e, depois de muitos atrasos, testou o primeiro bonde elétrico em Campos em 28/9/1916. A exploração comercial da linha - que tinha bitola métrica -  começou em 14/10 e o sistema de bondes elétricos foi inaugurado formalmente em 5/11/1916, na presença do governador do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha, e do presidente brasileiro, Wenceslau Braz.

Em 1918, o sistema foi fechado devido a problemas elétricos e alguns dos veículos foram adaptados para rodar com gasolina. A operação elétrica retornou e o sistema foi municipalizado em 1923, passando para a empresa Serviços de Força, Luz e Viação em 1928, para a Serviços Industriais do Estado em 1934, e, finalmente, para a Serviços Industriais do Norte do Estado (Sine) em 1942. Em 1940, o sistema de bondes de Campos adquiriu dez veículos fechados que pertenciam ao abandonado sistema de bondes de Petrópolis e, após a Segunda Guerra Mundial, adquiriu bondes abertos que haviam sido usados por Niterói.
Em 1958 o Sine comprou nove trólebus Vetra franceses que haviam sido usados por Niterói e substituiu os veículos usados nas linhas próximas a estação ferroviária. Ônibus a diesel foram colocados em outras rotas nos  anos seguintes e o último bonde em Campos, de prefixo 14, rodou até o cemitério do Caju em 15/11/1964. O serviço de trólebus foi encerrado em 12/6/1967 e os veículos foram vendidos em Volta Redonda, para desmanche.

O bonde 14 remanescente foi mostrado no centro cívico Oswaldo Lima em outubro de 1977. Dez anos depois, personalidades da cidade formaram a "Comissão Bonde 14" para restaurá-lo e preservá-lo em um museu.
Com informações de BETH LANDIM
col. Carlos Wehrs